Aquele desabafo exagerado de adepto que gera no entanto tanta cumplicidade seja qual for a cor que se defenda.
Este último ano e meio trouxe desafios enormes e um deles foi tirar-nos um dos rituais mais saborosos que tínhamos. Um vírus veio tentar dar cabo de uma paixão tão apelidada de doença.
Mas não deixámos… a verdade é que até neste tema fomos capazes de nos re-inventar… Em vez das bancadas da nossa Catedral foram chats e zooms que ocupámos, foram cafés e casas que nos viram juntos mais vezes que nunca, tudo no intuito de ocupar o espaço do tal ritual que tantas vezes nos tirou de um dia mau. Dia, semana, mês ou até ano maus.
No entanto nada era suficiente… nada se vivia da mesma forma. Nem para nós, nem para os que correm com as nossas camisolas de emblemas ao peito. Eles também sentiram… eles também perceberam que sem nós nada é igual… o apoio quando precisam, a crítica que os faz acordar de raiva em pleno jogo, a saudação final e o hino de mão no peito que embora ouvissem nas colunas, não estávamos lá para o cantar e acalorar.
Mas… hoje estamos de volta.
Não da forma que vos habituámos, não com as enchentes e calor que vos levámos Casa após Casa. Mas com o possível, com o que nos deixam e com a certeza de que quanto mais deixarem mais daremos.
Por estas e por outras nos irritamos tanto quando falham, por estas e por outras é que gritamos tão mais nessa Casa do que na nossa, porque aí sentimos que fazemos parte… sentimos que podemos de facto ajudar a mudar um jogo, um lance, um título.
Lembra-se do célebre minuto 70? Ninguém me tira a certeza de que aquelas lágrimas valeram o título desse ano, ninguém me tira a certeza que nesse minuto fomos nós a resolver.
Até já malta, vemo-nos logo lá em Casa, o sítio do costume no meio desta que é a doença mais bonita do mundo ❤