Ontem disse:
 
“Tudo o que quero hoje é ganhar. Tudo. Mas não consigo evitar exigir esta vontade que o Rafa demonstra nesta fotografia e que não se tem visto neste Benfica há meses. “
 
E foi isso que tivemos… Um Benfica que se superou em vontade, em raça, em não ter medo, em meter o pé, um Benfica que não víamos há meses e meses e que já não nos conquistava, já não nos fazia chegar ao fim do jogo orgulhosos por terem defendido o Manto Sagrado como se fossem um de nós.
 
Faltou ganhar. Era um jogo que tínhamos de ter ganho. Fomos superiores, em fases do jogo fomos muito superiores e contra 10 o jogo acabou… Em vez de os conseguirmos esmagar e sufocar até a bola entrar, deixámos que o jogo quebrasse o ritmo e se envolvesse apenas em picardias e gajos no chão.
 
O Benfica fez o que não fez na Supertaça:
– anular o único jogo do Porto: exterior. Que ainda é mais óbvio sem Otávio. O Benfica quase que ofereceu o meio e não conseguiam construir nada por lá, tinham sempre de ir para as linhas.
– Ser rápido quando recupera a bola mas com critério. Quebrar 1 linha (Rafa chave nesse processo) e iniciar trocas de bola que desposicionam a forte defesa do Porto.
– Abrir o jogo na frente com a posição dos avançados a ser sempre diferente. Muitas diagonais, muita movimentação e entradas de Grimaldo e Pizzi nos espaços criados.
– Pressão alta, pressão sem medos, meter o pé, fazer faltas, tudo aquilo que andamos a salivar há meses e que não acontecia.
 
Resumindo: as dinâmicas que não tínhamos e o tesão que faltou durante tanto tempo, acumulámos e trouxemos tudo para este jogo.
 
Não foi suficiente, mas foi o começo que desejávamos para recuperar a moral (deles e nossa) e para tentar virar o prato desta época já este mês.
 
Jesus mostrou que sabe disto, que não é novidade nenhuma, mas a custo de ataques cardíacos de quem não percebe nada do tema (eu incluído). Ainda assim, não faz sentido com a velocidade que executávamos com bola, com o espaço que criávamos quando arrancávamos, ter Waldschmidt no banco.
 
Algumas individualidades:
– Nuno Tavares fez o que pôde, focou-se no físico que tem e em cruzamentos (sempre sem olhar e sem noção para onde ia a bola), não chega, é curto.
 
– Os centrais, mais uma vez, provaram que Lucas Veríssimo estava longe de ser uma prioridade. Aliás, agora temos aquele problema de nem saber quem sai. Vertonghen é um senhor que não me lembro de perder 1 duelo nos últimos jogos, Otamendi é o grito e a raça que tanto precisamos e que fez mais um jogão ontem.
 
– Darwin desastrado em 2 lances de golo iminente que ele estupidificou com uma decisão sem nexo. Mas o trabalho que deu àquela defesa e a presença que teve em tantos lances de “sobe Darwin, toma!” merece algum destaque.
 
– Seferovic foi, novamente, um desastre. Faz uma assistência incrível (em 100 entrava 1 daqueles pés cheira-me… não sei se não tentou fazer um chapéu!) e depois rebenta com não sei quantos ataques do Benfica. Não esteve bem em quase fase nenhuma do jogo e ter acabado o jogo foi desespero para potencial chuveirinho que nunca aconteceu.
 
– Rafa apareceu. Rafa de jogo grande, Rafa que quando quebrou (e até saiu… sabe-se lá porquê) o Benfica quebrou com ele. Perdemos aquele 1º arranque, aquela 1ª linha quebrada, aquela aceleração que nos dava espaço para mais uma oportunidade.
 
– Weigl MVP claramente (a par de Sérgio Oliveira). Fez quase um jogo à parte dos outros. Foi a cabeça pensante tanto no posicionamento como nas saídas quando recuperava. Não deixou de ter a raça nos duelos que precisávamos, mas pensou como poucos com bola.
 
Não ganhámos o jogo mas podemos ter ganho uma equipa. Uma coisa é certa: a mim ganharam.
 
A mim mostraram que este Benfica existe, que é possível sonhar com mais jogos destes e que a jogar assim vamos estar sempre mais perto de vencer do que de perder.
 
Que continuem. Este mês é chave.
 
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