Cumprem-se hoje 35 anos. O meu pai, um verdadeiro apaixonado pelos desportos motorizados, fez parte da estrutura de vários Grande Prémios de Portugal e era comissário de pista nesse ano. A Fórmula 1 nessa altura tinha a logística de um circo de aldeia e por isso tenho o autógrafo de vários (incríveis) pilotos desse tempo, porque podia entrar com o meu pai para o paddock e boxes sem prestar contas a ninguém.

Uma das funções que atribuíram ao meu pai nesse ano foi a de segurar uma daquelas placas que indicava aos pilotos qual o seu lugar na grelha de partida, mediante os tempos da classificação. Calhou-lhe o nº12. Pertencia a um miúdo, Ayrton Senna da Silva, que tinha conseguido uma pole position à chuva (uma de tantas) que viria a dar-lhe a sua primeira vitória numa prova do mundial.

O Nigel Mansell estava na posição da grelha imediatamente atrás e deixou o motor ir abaixo no arranque. O meu pai fez o que lhe competia abanando freneticamente a dita placa para avisar os outros pilotos do perigo na pista. 

Cumprem-se hoje 35 anos e já cá não está o meu pai. Nem o Senna. Mas este episódio – a primeira vitória de Ayrton na Fórmula 1 – aparece em todos os documentários realizados sobre o piloto brasileiro e em quase todos é possível ver o meu pai, carequinha, atrás do muro das boxes do Estoril, a fazer o que tinha que ser feito. Muito orgulho. Quantas saudades.