Esta temporada, sempre que joga o Benfica lembro-me do meu amigo Raimundo.

O Raimundo faz uns churrascos do caraças no seu quintal. Festas grandes, cheias de gente, bem produzidas. Convida a malta toda da faculdade mas eu nunca sei se hei-de ir ou não.

Picanha da boa, topless na piscina, cerveja morna, sardinhas moídas: tudo pode acontecer num churrasco do Raimundo. É uma espécie de rodízio aleatório donde por vezes saímos com a sensação de que a melhor febra nunca chegou a ir para a grelha e onde adivinhamos impotentes que aquela carne maturada – muito embora o homem da grelha esteja a dar tudo! – vai ficar ali parada, imóvel e sem graça, até se tornar num triste pedaço de cautchú negro a quem ninguém quer deitar o dente.

E o Raimundo ali mesmo ao lado, com uma mini na mão e aquele sorriso enigmático debaixo do bigode. A ver mais uma festa a decair à sua frente e sem mudar sequer a playlist sofrível.

Felizmente ainda há festas do Raimundo onde, contra todas as probabilidades, as coisas acabam bem. Simplesmente porque a sogra desta vez não vomitou na sangria ou porque o Lopes sacou da mala do carro um digestivo surpresa para a malta toda.

Foi o caso da última. E lá saímos nós todos felizes mais uma vez, com vontade de nos revermos de novo para a semana. Viva la vida babes!